Texto: Lavar os pés (João 13)

Posted on maio 13, 2011 por

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Galera,

Na nossa última reunião, fomos ministrados sobre o texto de João 13, em que Jesus, às vésperas da sua morte, lavou os pés de seus discípulos.

É comum que nós ouçamos ministrações sobre essa palavra falando sobre a humildade de Jesus, focando na atitude que Ele teve, como Deus, de lavar os pés daqueles que eram menores do que Ele – e da lição que ele nos ensinou com isso.

E é verdade: uma das mais importantes lições que se pode aprender dessa passagem é, mesmo, essa.

Mas, no sábado passado, o Wagnão nos fez pensar esse trecho do evangelho sob um ponto de vista diferente.

De fato, aquele era um dia tenso – como a gente tem costume de dizer. Jesus já havia falado algumas vezes que o seu tempo estava chegando, que logo ele seria levado para a morte e seus discípulos, além de vê-lo sofrer, ficariam, por algum tempo, sem a sua companhia. Os discípulos estavam preocupados, porque Jesus já tinha revelado que algum deles viria a traí-lo – e todos queriam saber quem seria. Pouco depois de ter lavado os pés dos discípulos, naquele mesmo texto de João 13, Jesus revela que era Judas quem o trairia, mas os discípulos não entenderam o recado na hora, talvez de tão preocupados que estavam.

E foi nesse contexto de tensão que Jesus resolveu lavar os pés de seus discípulos.

Lavar é limpar, purificar. E, diferentemente do que a gente costuma imaginar, não necessariamente limpar ou purificar do pecado. Afinal, João nos conta que, quando Pedro pediu para que Jesus lavasse não só os seus pés, mas também as mãos e a cabeça, Jesus disse o seguinte:

“Quem já se banhou precisa apenas lavar os pés; todo o seu corpo está limpo. Vocês estão limpos, mas nem todos”.

Então, quer dizer que eles já estavam limpos. Não precisavam tomar banho: eles já conheciam a Jesus, já sabiam qual era o caminho da vida, o que era certo e o que não era – mas, mesmo assim, estavam com seus pés sujos.

Seus pés estavam sujos da poeira do caminho. A poeira é aquilo que vai sujando e embaçando a nossa caminhada – a nossa relação com Deus. E, de fato, quando Pedro se recusa a deixá-lo lavar seus pés, Jesus afirma:

“Se eu não os lavar, você não terá parte comigo”.

O pó é aquilo que nos impede de ter parte com o Senhor, mesmo que nós já O conheçamos e andemos no Seu caminho.

Mas o mais interessante é que Jesus não só lavou, Ele mesmo, os pés de seus discípulos, mas também ensinou que eles deveriam, também, lavar os pés uns dos outros – ou, em outras palavras: tirar o pó uns dos outros, trazer refrigério uns aos outros.

Jesus, assim como os discípulos, também estava tenso com a aproximação do momento de sua morte. Ele sabia que logo Judas o trairia, que Pedro o negaria, e que sua morte seria dolorosa, mas que não havia outra alternativa para Ele senão continuar naquela caminhada e se entregar. Ele poderia ter explodido, tido seus cinco minutos, brigado com os discípulos, se isolado da companhia deles, mas não foi isso o que Ele fez. Aliás, pelo contrário: mesmo estando, Ele mesmo, num momento de extrema agonia, teve a paciência e o amor de ensinar a seus discípulos ainda mais algumas coisas – muito importantes, por sinal:

“Meus filhinhos, vou estar com vocês apenas mais um pouco. Vocês procurarão por mim e, como eu disse aos judeus, agora lhes digo: Para onde eu vou, vocês não podem ir.

Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros.

Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros”.

Ele ensinou seus discípulos a amarem uns aos outros. E o que é trazer refrigério, lavando os pés uns dos outros, senão uma demonstração desse amor?

O pó que nos afasta da plenitude da presença do Senhor é conseqüência de situações do nosso dia-a-dia. O pó é natural, esperado e inevitável. É aquele momento de estresse, em que nós não conseguimos pensar como Deus quer que nós pensemos. Aquela hora em que nós não conseguimos ser gentis com o nosso irmão, com a nossa namorada, com a nossa mãe, com o nosso colega de trabalho, porque nós estamos mal-humorados ou nervosos demais para pensar em tratar o próximo com amor.

E, quando nós estamos nos sentindo desse jeito, como é bom ser surpreendido por alguém que consegue nos fazer sorrir! Como é bom quando vem alguém e nos faz um agrado, nos distrai das nossas preocupações, dá ouvidos aos nossos desabafos!… Nós nos sentimos tão bem que até esquecemos o mau humor de minutos atrás, não é verdade?

Realmente, é muito bom ter alguém assim sempre por perto.

Mas, será que nós temos sido essa pessoa? Essa, que faz a outra sorrir, que procura agradar, que tem paciência de dar ouvidos aos problemas alheios…

Será?

Foi o que Jesus nos mandou fazer. É uma escolha nossa obedecer a esse mandamento ou não – nos entregarmos uns aos outros em amor dessa maneira, servindo-nos uns aos outros, como Igreja de verdade, ou não.

Mas, para isso, não podemos esquecer que nós também precisamos estar limpos na presença de Deus – afinal, como é que eu vou lavar os pés de alguém se eu mesmo estiver sujo, não é?

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