Reflexão: Chamados de Deus

Publicado em janeiro 16, 2011 por

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Estive lendo outra vez aquela devocional do Oswald Chambers(http://www.reavivamentos.com) e li um texto que, como sempre, me fez refletir.

O texto é sobre um trecho do livro de Isaías (capítulo 6, principalmente o versículo 8). E o que acontece lá em Isaías 6 é que Deus aparece em visão a Isaías. Então, Isaías se sente indigno de ver a Deus – afinal, ele é um pecador, um impuro, um reles ser humano. Aí, o anjo de Deus toca os lábios de Isaías com uma brasa e diz: olha, esta brasa tocou nos seus lábios; agora, a sua culpa vai ser removida e o seu pecado, perdoado.

Depois disso, então, é que Deus fala, no versículo 8: “Quem enviarei? Quem irá por nós?”, e Isaías responde: “Eis-me aqui. Envia-me”!

O que eu notei de interessante é que Deus não falou assim: “Isaías, você iria por nós”? Ou então: “Isaías, eu te ordeno: vá por nós”! Não. Ele não fez nenhum pedido, nenhuma requisição, nem fez uma pergunta para alguém específico, especial, para um escolhido, um queridinho. Ele fez a pergunta para todos que estivessem ouvindo.

A questão é que ninguém senão Isaías ouviu esse chamado.

Desse jeito, parece fazer muito mais sentido aquela passagem de Mateus 22: 14, que diz que “muitos são chamados, mas poucos são escolhidos”. Deus chama todos nós, mas poucos  são os que se manifestam como escolhidos.

Se nós prestarmos atenção ao texto de Mateus 22, Jesus está falando sobre as bodas do filho do rei. O rei deu uma festa pelo casamento do seu filho e mandou que os seus servos fossem até os convidados para chamá-los à festa. Os convidados, porém, não quiseram vir – nenhum deles. Pelo contrário: alguns nem deram bola para o convite e continuaram com seus afazeres, como se nada tivesse acontecido. Outros até se apoderaram dos servos do rei e os mataram.

Quando o rei soube do que tinha acontecido, ficou muito indignado e mandou os seus exércitos matarem os que haviam matados seus servos, e incendiarem as suas cidades. Ele disse: “as bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos”. Então, ele mandou que os seus servos saíssem pelos caminhos e convidassem a quem quer que encontrassem, tanto maus como bons. Aí, sim, a festa de casamento ficou cheia de convidados.

No meio da festa, o rei encontrou alguém que não tinha sido convidado - que não estava trajado com vestes de festa, como era costume na época. Então, o rei expulsou aquele homem dali e o lançou no escuro da noite, do lado de fora da festa.

Depois de terminar essa parábola é que Jesus diz: “porque muitos são chamados, mas poucos são escolhidos”.

Voltando agora a Isaías, Deus não exerceu sobre ele nenhum tipo de pressão. O que aconteceu foi que Isaías estava na presença de Deus e ouviu o Seu chamado. Nós precisamos entender que Deus não vai nos chamar por meio de uma coação irresistível, de um apelo – Deus não vai nos implorar por nada. Aliás, Jesus chamou os seus discípulos com um simples “segue-me” – não com ameaças, maldições do tipo “se vocês não me seguirem, isso, isso e aquilo de ruim vai acontecer a vocês”. O rei, na parábola de Jesus, não obrigou que as pessoas fossem à festa de casamento de seu filho, mas convidou-os, apenas – e só castigou aqueles que fizeram mal aos seus servos. Os discípulos de Jesus, assim como Isaíais e os segundos convidados do rei na parábola, aceitaram o chamado porque compreenderam a sua importância e, conscientemente, quiseram aceitá-lo.

É isso o que nós precisamos fazer.

Como disse o próprio Oswald Chambers na sua devocional, ouvir ou não o chamado de Deus depende do estado em que se encontram os nossos ouvidos – e o que nós ouvimos depende da nossa disposição quando ouvimos. Sempre que nós permitirmos que o Espírito nos coloque face a face com Deus, também vamos ouvir a voz de Deus, como Isaías ouviu. E só então é que, em perfeita liberdade, poderemos dizer, também: “Eis-me aqui, envia-me a mim”.

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